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publicado em 2025-12-15
Ponte da Integração inaugura com operação parcial e desafios nos acessos paraguaios.
A Ponte da Integração Brasil–Paraguai, segunda ligação rodoviária entre os dois países na região de Foz do Iguaçu, será oficialmente inaugurada na próxima sexta-feira (19) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A cerimônia deve ocorrer no período da tarde e contará com a presença do presidente do Paraguai, Santiago Peña, reforçando o caráter binacional da obra.
Após o ato inaugural, a ponte terá liberação inicial restrita ao tráfego de caminhões vazios (em lastro), no período das 19h às 7h do dia seguinte, durante os primeiros 30 dias de operação. O modelo de abertura foi definido em comum acordo entre os governos do Brasil e do Paraguai, considerando a necessidade de ajustes operacionais e a conclusão de etapas estruturais nos dois lados da fronteira.
As informações foram confirmadas pelo delegado da Receita Federal em Foz do Iguaçu, César Viana, após reunião em Brasília com representantes do Ministério das Relações Exteriores e dos órgãos responsáveis pela operação aduaneira.
Segundo Viana, a abertura gradual tem como objetivo garantir segurança, eficiência na fiscalização e adaptação das equipes envolvidas. “Foi definido que a abertura inicial será das 19h às 7h da manhã, com trânsito exclusivo de caminhões vazios nesta primeira fase”, explicou.
O presidente Lula, que atualmente exerce a presidência do Mercosul, também convocou para o sábado (20) a Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Países Associados, que será realizada em Foz do Iguaçu. A presença simultânea dos chefes de Estado na fronteira reforça a expectativa de consolidação da nova rota internacional.
As estruturas aduaneiras da Ponte da Integração ainda passam por adequações finais. De acordo com a Receita Federal, a aduana do lado paraguaio está em estágio mais avançado, enquanto as instalações do lado brasileiro ainda recebem complementações técnicas, com parte das intervenções previstas para 2026.
Entre os ajustes pendentes estão testes no sistema hidráulico, adequações na rede elétrica e a conclusão da ligação de esgoto. Como solução provisória, o DER-PR apresentou a instalação de uma fossa séptica, garantindo condições mínimas para o funcionamento inicial da aduana.
A Receita Federal já dispõe de efetivo suficiente para esta primeira fase de operação e receberá reforço de servidores nos próximos meses. Nesta etapa inicial, os caminhões vazios não precisarão passar pelo porto seco, o que deve agilizar o deslocamento.
Do lado paraguaio, o acesso à Ponte da Integração depende da conclusão do Corredor Metropolitano del Este (CME), um complexo logístico financiado por meio de empréstimo internacional e executado pelo Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC) do Paraguai.
O corredor compreende mais de 30 quilômetros de rodovias, projetadas para interligar os municípios de Presidente Franco, Ciudad del Este, Hernandarias, Minga Guazú e Los Cedrales, criando um novo anel viário para o transporte de cargas e passageiros.
Segundo o MOPC, as obras estão divididas em seis lotes, executados por diferentes construtoras. Três deles que incluem a aduana paraguaia, o porto seco e a ligação urbana com Presidente Franco já estão concluídos.
Os Lotes Rurais 1 e 2, responsáveis pela maior parte dos quase 32 quilômetros do CME, seguem em execução e têm previsão de entrega no primeiro semestre de 2026.
A principal pendência do lado paraguaio está relacionada ao sexto lote, que prevê a construção de uma nova ponte sobre o Rio Monday, no trecho final do corredor de acesso à Ponte da Integração.
Considerada estratégica para a liberação do tráfego de caminhões com carga, a ponte sobre o Monday apresentava, conforme boletim do MOPC de 30 de outubro, apenas 23% de execução. A previsão de conclusão da estrutura é somente para o final de 2026.
Sem essa ponte, os veículos pesados terão de utilizar, obrigatoriamente, rotas urbanas dentro da cidade de Presidente Franco, vias que não foram projetadas para o tráfego intenso de caminhões. A possibilidade enfrenta resistência de vereadores e lideranças comunitárias locais, que alertam para impactos urbanos e de segurança viária.
Diante desse cenário, a liberação da Ponte da Integração ocorrerá em etapas sucessivas. Na primeira fase, apenas caminhões vazios poderão cruzar a fronteira. As fases seguintes preveem a liberação gradual para caminhões com carga, ônibus de turismo, veículos leves, motocicletas e pedestres.
Inicialmente, a ponte não deverá operar 24 horas por dia, funcionando apenas em horários pré-definidos. A abertura integral dependerá, entre outros fatores, do reforço das equipes de fiscalização, da conclusão das obras de acesso no Paraguai e da plena operação das aduanas nos dois países.
Mesmo com a abertura gradual, a Ponte da Integração representa um avanço histórico para a integração regional. Em conjunto com a Perimetral Leste, recém-entregue em Foz do Iguaçu, a nova ligação cria as bases para o desafogamento da Ponte da Amizade, atualmente a fronteira terrestre mais movimentada do Brasil, e fortalece Foz do Iguaçu como corredor logístico estratégico do Mercosul.
Fonte e Fotos: www.h2foz.com.br /https://gdia.com.br/ Marketing SindiFoz.