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publicado em 2026-01-19

Biodiesel vive melhor fase da década e encerra 2025 com produção recorde.

 

 

Demanda aquecida, novos investimentos e avanço regulatório devem manter crescimento em 2026.

 

Adoção do B15, expansão da capacidade industrial e maior consumo de óleo de soja impulsionam mercado; demanda pode superar 11 milhões de m³ no próximo ano.

 

 

A produção de biodiesel no Brasil alcançou um patamar histórico em 2025, impulsionada principalmente pela retomada do cronograma de elevação das misturas obrigatórias ao diesel fóssil e pela expansão da capacidade produtiva instalada. O avanço consolida a recuperação do setor após anos de instabilidade regulatória e sustenta expectativas de novo crescimento em 2026, segundo análise da equipe de Inteligência de Mercado da StoneX.

O desempenho ao longo de 2025 foi marcado pela entrada em vigor do regime B15 a partir de agosto, conforme diretrizes do Ministério de Minas e Energia (MME). A elevação do teor de biodiesel no diesel comercializado encerrou um período de oscilações nos mandatos obrigatórios, que haviam sido impactados pelo ambiente econômico adverso e pelos reflexos da pandemia.

A previsibilidade do setor foi reforçada com a sanção da Lei do Combustível do Futuro, que estabelece metas claras de incremento anual da mistura de biodiesel até 2030. A legislação fortalece o compromisso do Brasil com a transição energética, a redução das emissões de gases de efeito estufa e a valorização de fontes renováveis na matriz de transportes.

 

Produção recorde e maior consumo de matérias-primas

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que a produção nacional de biodiesel atingiu nível recorde em 2025, reflexo direto do aumento do teor de mistura obrigatória. O consumo de óleo de soja, principal insumo do setor,  acompanhou esse crescimento e totalizou cerca de 7,9 milhões de toneladas no ano.

Além da soja, o uso de matérias-primas alternativas apresentou avanço relevante, como sebo bovino, gordura suína e óleos residuais. Essa diversificação contribui para reduzir riscos de oferta, melhorar a eficiência produtiva e ampliar o caráter sustentável do biocombustível.

O esmagamento de soja cresceu em linha com a maior demanda do setor energético, reforçando a integração entre o agronegócio e a indústria de biocombustíveis. Esse movimento também gera efeitos positivos sobre a cadeia logística, com maior demanda por transporte, armazenagem e escoamento da produção.

No campo industrial, a capacidade produtiva instalada alcançou cerca de 42,6 mil metros cúbicos por dia em 2025, com predominância das regiões Centro-Oeste e Sul, que respondem por mais de 70% da produção nacional. O ano também foi marcado por processos de consolidação, com aquisições de usinas por grandes grupos econômicos e a entrada de novos operadores, elevando a competitividade do mercado.

 

Expectativas para 2026

Para 2026, a StoneX projeta continuidade do crescimento do setor. No cenário-base, com manutenção do B15 ao longo de todo o ano, a demanda por biodiesel pode atingir 10,5 milhões de toneladas. Já em um cenário de avanço para o B16 a partir de março, o consumo pode superar 11 milhões de metros cúbicos, exigindo cerca de 8,9 milhões de toneladas de óleo de soja.

A taxa de utilização da capacidade industrial deve variar entre 57% e 64,5%, dependendo do ritmo de expansão das usinas e das decisões governamentais relacionadas ao mandato obrigatório. O setor acompanha atentamente o cronograma previsto na Lei do Combustível do Futuro, que estabelece a elevação gradual da mistura até o B20 em 2030.

Diante desse cenário, produtores, tradings e investidores já se mobilizam para ampliar a capacidade instalada e viabilizar novos projetos, especialmente em regiões com elevada oferta de soja e boa infraestrutura logística. A expectativa é que o biodiesel siga ganhando relevância tanto na matriz energética quanto na logística de abastecimento nacional, com impactos positivos para o transporte rodoviário e para a redução da dependência de combustíveis fósseis.

 

 

 

Fonte e Foto: Transporte Mundial-Divulgação /Marketing SindiFoz.

 

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