associe-se
publicado em 2026-01-21
Concessões de rodovias e ferrovias avançam e reforçam infraestrutura logística nacional.
O governo federal prevê, para este ano, a realização de 14 leilões de concessão de rodovias federais e oito de ferrovias. O pacote deverá gerar cerca de R$ 300 bilhões em investimentos ao longo dos contratos, reforçando o modelo de concessões como eixo central da política de infraestrutura de transportes no país.
Para atrair investidores e viabilizar projetos de longo prazo, o governo conta com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como principal agente estruturador e financiador. O banco encerrou 2025 com uma carteira de empréstimos estimada em R$ 22 bilhões para concessionárias de rodovias e R$ 3,7 bilhões para operadoras ferroviárias. A expectativa da instituição é superar esses valores em 2026, acompanhando o avanço do programa de concessões.
Do ponto de vista econômico, o financiamento estatal a projetos de infraestrutura de interesse público é considerado adequado, sobretudo em empreendimentos de longa maturação, como rodovias e ferrovias. O desafio está em garantir projetos bem estruturados sob a ótica técnica, financeira e regulatória, de modo a assegurar equilíbrio econômico-financeiro e atratividade ao setor privado, que naturalmente só ingressa em negócios sustentáveis.
Em modelos bem desenhados de concessão, o Tesouro Nacional não é chamado a cobrir prejuízos ou custos excessivos de obras, preservando as contas públicas. Ao mesmo tempo, o país se beneficia de investimentos essenciais para a recuperação de rodovias deterioradas, ampliação da capacidade logística e integração de corredores estratégicos de transporte, fundamentais para a competitividade da economia e para o escoamento da produção.
O avanço desse modelo ganha relevância política ao se consolidar como uma política de Estado. Mesmo partidos historicamente críticos às privatizações passaram a reconhecer a necessidade da participação privada na infraestrutura. Segundo o secretário-executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro, o calendário de licitações está assegurado e não deverá sofrer impacto das eleições previstas para este ano, evidenciando a estabilidade institucional do programa.
O BNDES será responsável pela estruturação de quatro concessões rodoviárias estratégicas:
Rota dos Sertões (BR-116, entre Bahia e Pernambuco);
Rota Gerais (BRs-070 e 251, em Minas Gerais);
Rota Agro-Central (BRs-070, 174 e 364, entre Mato Grosso e Rondônia);
Rota Integração do Sul (BRs-116, 158, 290 e 392, no Rio Grande do Sul).
Além dessas, outros projetos estão previstos, inclusive com a participação de concessionárias atuais, em processos de relicitação ou otimização contratual. No setor ferroviário, estão programadas concessões para o Corredor MG–RJ, Anel Ferroviário Sudeste, Malha Oeste, Corredor Leste–Oeste, Ferrogrão, três trechos da Malha Sul e a Ferrovia Norte-Sul. Também está prevista uma licitação para transporte ferroviário de passageiros entre Brasília e Luziânia, iniciativa ainda rara no país.
A necessidade desses investimentos é reforçada pelos dados mais recentes da Confederação Nacional do Transporte (CNT). Segundo a última pesquisa da entidade, apenas 32,5% dos mais de 114 mil quilômetros de rodovias analisados são classificados como de qualidade “ótima”, percentual que corresponde a 52,6% das rodovias pavimentadas e apenas 6,6% de toda a malha rodoviária nacional. Em contrapartida, 19,5% das vias são avaliadas como “ruins” ou “péssimas”.
A pesquisa também evidencia a diferença de desempenho entre rodovias concedidas e aquelas sob gestão pública direta. Problemas no pavimento são registrados em 64,4% das estradas administradas pelo poder público, contra 34,4% das vias sob concessão privada, reflexo do maior volume de investimentos em manutenção, conservação e segurança viária.
Apesar dos avanços, o modelo de concessões não resolve todos os desafios da infraestrutura nacional. O setor privado tende a assumir apenas trechos com tráfego suficiente para garantir retorno econômico. Já as rodovias de baixo fluxo, embora essenciais para a mobilidade regional, integração territorial e acesso a serviços, continuam dependendo de investimentos públicos diretos.
Nesse contexto, cabe ao governo manter uma gestão fiscal responsável e um planejamento estratégico coerente, capaz de assegurar recursos para a manutenção dessas vias e, ao mesmo tempo, ampliar a participação privada onde houver viabilidade. O equilíbrio entre concessões e investimentos públicos permanece como um dos principais desafios da política de transportes no Brasil.
Fonte e Foto: O globo/ ANTT/ Marketing SindiFoz.