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publicado em 2026-01-22

O peso da logística no PIB brasileiro.

 
 
 

Custos elevados, gargalos estruturais e impactos diretos sobre o Transporte Rodoviário de Cargas desafiam a competitividade nacional.

 
 

Parte relevante do custo logístico brasileiro está associada à formação recorrente de filas em pontos críticos da infraestrutura, em especial nos acessos portuários e nas operações de atracação de navios, reflexo de gargalos históricos, baixa integração de dados e limitações de planejamento sistêmico.

Entre entraves estruturais, fragmentação institucional e uso ainda incipiente de ferramentas analíticas, o Brasil continua pagando caro para movimentar sua produção. Estudos setoriais recentes indicam que os custos logísticos no país situam-se, nos últimos anos, entre 15% e 18% do Produto Interno Bruto (PIB), o que representou cerca de R$ 1,83 trilhão em 2024, segundo estimativas do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS).

Esse patamar é significativamente superior ao observado em economias desenvolvidas. Nos Estados Unidos, por exemplo, os custos logísticos giram em torno de 8% do PIB, evidenciando uma diferença estrutural de eficiência que impacta diretamente a competitividade internacional dos produtos brasileiros.

Análises publicadas pela Mundo Logística e pelo ILOS apontam que esse diferencial decorre, em grande medida, da elevada dependência do modal rodoviário, da volatilidade dos preços de frete, da baixa previsibilidade operacional e de deficiências na armazenagem. Em 2025, a super safra agrícola evidenciou essas limitações: a insuficiência de capacidade de estocagem forçou vendas em momentos desfavoráveis, elevou a demanda por transporte emergencial e pressionou os custos ao longo de toda a cadeia.

Embora a infraestrutura física seja frequentemente citada como o principal gargalo, estudos técnicos recentes destacam o peso crescente de fatores institucionais, informacionais e decisórios. A fragmentação do planejamento logístico  distribuído entre diferentes esferas de governo e agentes privados, aliada ao uso limitado de modelos de simulação, otimização e análise preditiva, reduz a eficiência sistêmica e amplia custos indiretos, como atrasos, ociosidade de ativos e consumo adicional de combustível.

Nesse contexto, parcela relevante do custo logístico brasileiro decorre da formação recorrente de filas em pontos estratégicos, especialmente nos acessos portuários e nas áreas de atracação. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), 86,83% do valor exportado pelo Brasil em 2025 (US$ FOB) foi escoado por via marítima, o que reforça a centralidade dos portos na matriz logística nacional.

A ausência ou o uso insuficiente  de ferramentas de planejamento e otimização, como modelos de alocação de berços, simulação de filas, análise preditiva de chegadas, revisão de layouts operacionais e adequação de áreas para amortização interna de fluxos, resulta em tempos elevados de espera, queda de produtividade, aumento do consumo de combustível, pagamento de sobrestadias e imobilização de ativos de alto valor.

De acordo com levantamentos do Valor Econômico e da Revista Ferroviária, o Brasil registrou em 2024 um custo aproximado de US$ 2,3 bilhões, cerca de R$ 13 bilhões em conversão direta,  com demurrage, ou seja, despesas com a sobrestadia de navios nos portos, causadas majoritariamente por gargalos de infraestrutura e ineficiências operacionais. Embora nem sempre visíveis ao consumidor final, esses custos acabam incorporados ao custo logístico agregado do país.

Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Plano Nacional de Logística (PNL) indicam que cerca de 62% das cargas transportadas no Brasil utilizam o modal rodoviário, enquanto o ferroviário responde por aproximadamente 19% e o aquaviário  incluindo hidrovias e cabotagem por cerca de 15%. Essa predominância rodoviária implica custos unitários mais elevados por tonelada-quilômetro, sobretudo em longas distâncias, além de maior exposição a variações de preço de combustível, restrições ambientais e problemas de segurança viária.

Diretrizes técnicas e simulações de cenário apresentadas no Plano Nacional de Logística (PNL 2025) indicam que um conjunto coordenado de intervenções estruturantes  incluindo a ampliação da participação de modais de maior capacidade, como o ferroviário e o aquaviário, a integração entre modais, a modernização portuária e o uso intensivo de dados pode resultar em uma redução de até 16% no custo total de transporte, o equivalente a cerca de 0,8% do PIB.

Esses ganhos não decorrem apenas de menores custos unitários de frete, mas também de maior previsibilidade operacional, redução de gargalos, mitigação de congestionamentos nos principais corredores logísticos e melhor alocação de ativos. A adoção de ferramentas computacionais avançadas, aliada a métodos analíticos aplicados ao negócio logístico, tende a elevar a eficiência sistêmica e reduzir perdas ao longo da cadeia.

Além disso, a agenda de concessões de infraestrutura, a digitalização de processos, a integração de sistemas públicos e privados e a incorporação de critérios ESG como a redução de emissões e a eficiência energética passam a desempenhar papel estratégico na redução do custo logístico e no fortalecimento da competitividade do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) e dos demais modais.

A redução do custo logístico brasileiro depende, portanto, menos de investimentos isolados e mais de decisões integradas, do uso intensivo de dados, da coordenação institucional e do reequilíbrio da matriz de transportes. Os próximos anos serão decisivos para transformar a logística de um fator de custo em uma efetiva vantagem competitiva nacional.

 

Logística, TRC e impacto no PIB brasileiro

 Quanto a logística pesa no PIB?
• Entre 15% e 18% do PIB brasileiro
• Aproximadamente R$ 1,83 trilhão (2024)

 

 Participação dos modais no transporte de cargas:
Rodoviário (TRC): ~62%
• Ferroviário: ~19%
• Aquaviário (hidrovias + cabotagem): ~15%
• Outros modais: ~4%

 

 Principais impactos para o TRC:
• Maior custo por tonelada-quilômetro em longas distâncias
• Forte dependência do diesel e volatilidade de preços
• Filas em portos, terminais e áreas urbanas
• Baixa previsibilidade operacional e tempo elevado de espera

 

 Gargalos que elevam o custo logístico:
• Acessos portuários saturados
• Falta de integração entre modais
• Deficiência de armazenagem e pátios reguladores
• Uso limitado de dados, simulação e planejamento operacional

 

 Potencial de redução de custos (PNL 2025):
• Até 16% de redução no custo total de transporte
• Impacto estimado de 0,8% do PIB brasileiro
• Ganhos com previsibilidade, menor tempo parado e melhor uso da frota


 

 

 

Fonte e Foto:Mundo Logística shutterstock/ Marketing sindifoz

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