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publicado em 2026-01-23
Paraná cria novo mercado energético e impulsiona uso do biometano nas rodovias.
O Paraná vem se consolidando como referência nacional na transição energética aplicada ao transporte rodoviário, ao estruturar uma política integrada que combina biometano, gás natural, eletrificação, etanol e biodiesel. O foco é reduzir emissões, ampliar a competitividade logística e criar um novo mercado energético voltado especialmente às frotas pesadas.
A principal estratégia é a implantação dos Corredores Rodoviários Sustentáveis, que ampliam a oferta de gás natural e biometano para abastecimento de caminhões, criando condições para que o combustível renovável produzido no campo substitua progressivamente o diesel nas rodovias estaduais e interestaduais.
Com uma cadeia produtiva que envolve produtores rurais, cooperativas, transportadores, concessionárias de energia e o poder público, o Estado cria as bases para um mercado capaz de transformar resíduos da agropecuária, especialmente da produção de proteína animal, em combustível limpo, renovável e competitivo.
Em 2024, a Compagas colocou em operação a primeira rota estruturada entre Londrina e Paranaguá, conectando o Norte do Estado ao Litoral. Atualmente, 13 postos já estão preparados para atender caminhões, garantindo abastecimento com GNV e abrindo espaço para a ampliação do uso do biometano. A malha permite integração logística com São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, assegurando maior autonomia às frotas.
A segunda frente do projeto leva o biometano ao Interior do Paraná, especialmente a regiões sem gasodutos, mas com elevada produção de biomassa. Nesses casos, o transporte do combustível ocorre por soluções como GNC e GNL, ampliando a capilaridade da infraestrutura.
“O gás já está disponível nas principais rotas rodoviárias que interligam as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Nossa estratégia é inserir amplamente o gás natural e o biometano nas rotas da produção agroindustrial, promovendo redução do custo do frete e ganhos em eficiência logística”, destaca o diretor-presidente da Compagas, Eudis Furtado Filho.
A coordenação da política estadual de transição energética é conduzida pela Superintendência de Energia do Paraná (SUPEN), vinculada à Secretaria do Planejamento.
Para o coordenador de Gás Natural, Biocombustíveis e Hidrogênio da SUPEN, Thiago Olinda, o gás natural exerce papel estratégico como combustível de transição e indutor do biometano.
“Interpretamos o gás natural como um combustível de transição e um indutor do biometano. Aonde o gás natural chega, o biometano também se conecta. Por isso, o desenvolvimento de postos pela Compagas é fundamental para dar capilaridade ao projeto”, afirma.
O superintendente da SUPEN, Sandro Vieira, reforça que o conceito de corredores evoluiu.
“Começamos com as eletrovias, depois o corredor azul do gás natural. Hoje falamos em corredor sustentável, porque trabalhamos com múltiplas fontes: eletromobilidade, biometano, etanol e biodiesel, fortalecendo a segurança energética do Estado”, explica.
O Paraná também fortalece a produção de biometano por meio de programas como o RenovaPR, que oferece financiamentos com equalização de juros para implantação de biodigestores, além de incentivos fiscais para aquisição de equipamentos. A política atende tanto a critérios ambientais quanto econômicos.
Segundo o coordenador do RenovaPR no IDR-PR, Herlon Almeida, o biometano fecha um ciclo virtuoso. Ele explica que os dejetos animais emitem metano, gás até 21 vezes mais agressivo que o CO₂, quando liberados na atmosfera. Com a biodigestão, o produtor trata o resíduo, reduz emissões, obtém licenciamento ambiental, gera energia e cria um ativo econômico.
“Precisamos criar um mercado demandante de biometano. O grande mercado é a substituição do diesel, como já ocorre nos Estados Unidos e na Europa. Nosso horizonte é 2035, quando o Paraná poderá substituir cerca de 15% do diesel consumido no Estado”, avalia.
No Oeste do Estado, o novo mercado já é realidade. A cooperativa Primato, de Toledo, inaugurou em 2023 uma bioplanta que processa 630 mil litros de dejetos suínos por dia, produzindo biometano e fertilizante organomineral. O combustível abastece seis caminhões da frota própria e permite que 13 produtores ampliem a produção sem aumentar áreas de disposição de resíduos.
“O maior plantel de suínos do Brasil está aqui. Transformamos um problema ambiental em oportunidade. Hoje reduzimos de 30% a 35% o custo em relação ao diesel”, afirma o diretor-executivo da Primato, Juliano Millnitz.
Segundo ele, o impacto ambiental supera o econômico. “É economia circular. O dejeto vira adubo para milho e soja, que alimentam o suíno novamente, além de reduzir emissões e abrir mercados internacionais mais exigentes”, completa.
Outro investimento relevante envolve a empresa Potencial, que possui planta na Lapa e se tornará a segunda fabricante nacional de biodiesel a escoar parte da produção por meio de dutos. O projeto integra uma rodada de investimentos da Compagas, que prevê R$ 200 milhões para expansão da infraestrutura de gás natural e biometano.
O plano é interligar a usina da Potencial, em Lapa, às distribuidoras localizadas no entorno da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, a cerca de 50 quilômetros de distância. A cidade concentra 13 bases de distribuição autorizadas pela ANP, incluindo uma do próprio Grupo Potencial.
Além das cooperativas, o Estado atua diretamente junto à demanda. A Secretaria da Indústria, Comércio e Serviços (Seic) firmou parceria com a Fetranspar para estimular transportadoras a migrarem para veículos híbridos ou movidos integralmente a gás.
Segundo o assessor técnico da Seic, Rodrigo Becegato, o transporte responde por 74% das emissões do setor energético no Paraná, principalmente em função do diesel.
“Nosso foco é criar condições para que o transportador considere o biometano uma alternativa viável. Os workshops com sindicatos mapeiam rotas, gargalos e perfis de frota. O modelo híbrido é um caminho seguro até a adoção plena de caminhões a gás”, explica.
O conjunto de ações coloca o Paraná entre os pioneiros na regulação e operação em escala do biometano como combustível veicular. A política está alinhada ao Programa Combustível do Futuro, à Lei Federal nº 14.993/2024 e ao Decreto nº 12.614/2025, que tratam da descarbonização e da certificação de origem do biometano.
Paralelamente, o Estado também avança na eletrificação. O Paraná conta com uma das eletrovias mais robustas do País, sob gestão da Copel, com 12 pontos de recarga distribuídos ao longo da BR-277 e em áreas urbanas. A eletrovia tem 730 quilômetros, ligando o Porto de Paranaguá às Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, além de pontos na BR-376.
Em 2025, os eletropostos registraram 23.970 recargas, com consumo de 429 MWh de energia e tempo médio de 43 minutos por recarga, acompanhando o crescimento de 26% nas vendas de veículos elétricos e híbridos no Brasil, segundo a ABVE.
Com infraestrutura em expansão, incentivos à produção, articulação com o setor produtivo e renovação das frotas, o Paraná enxerga no biometano um vetor estratégico de desenvolvimento.
“O Estado está construindo uma nova cadeia produtiva altamente promissora. Ela gera emprego, movimenta a economia local, reduz emissões e diminui o custo do frete”, resume Herlon Almeida.
Fonte e Fotos: AEN / SEPL / Copel-Divulgação/ www.parana.pr.gov.br / Marketing SindiFoz.