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publicado em 2026-02-06
Taxas, obras e desafios logísticos marcam nova fase da fronteira entre Paraguai e Brasil.
Decisões sobre transporte pesado, infraestrutura viária e urbanismo revelam a complexa transição das cidades fronteiriças em 2026.
Enquanto o Paraguai avança em projetos estratégicos de infraestrutura e mobilidade na fronteira com o Brasil, moradores, caminhoneiros e comerciantes convivem com os impactos de decisões que evidenciam a complexidade desse processo de transição. Questões aparentemente distintas, como a cobrança de taxas para caminhões que utilizam a Ponte da Integração e a retirada dos tradicionais emaranhados de fios no centro de Ciudad del Este, fazem parte de um mesmo desafio: integrar desenvolvimento logístico, eficiência comercial e ordem urbana em cidades altamente pressionadas pelo fluxo internacional.
Na cidade de Presidente Franco, localizada na cabeceira paraguaia da Ponte da Integração, a Junta Municipal aprovou a Resolução nº 60/24, que institui a cobrança de uma taxa de G$ 10 mil (cerca de R$ 8) para todos os caminhões que circularem pelas vias internas do município em direção à nova ligação rodoviária com Foz do Iguaçu.
A medida, proposta pelo vereador Lucio Vera, foi aprovada por unanimidade entre os vereadores presentes e tem como objetivo arrecadar recursos para a manutenção do asfalto, sinalização e infraestrutura urbana, fortemente impactadas pelo tráfego pesado. Inicialmente, chegou-se a discutir valores mais elevados, o que gerou reação imediata da categoria e de comerciantes locais, preocupados com o aumento dos custos logísticos.
Caminhoneiros alegam que a cobrança representa mais um encargo em uma rota que ainda não oferece condições adequadas de fluidez, enquanto empresários alertam que os custos extras tendem a ser repassados ao preço final das mercadorias.
Apesar de concluída e inaugurada oficialmente, a Ponte da Integração ainda não opera em sua plena capacidade. O motivo é o atraso na conclusão do anel viário, estrutura fundamental para desviar o tráfego pesado do perímetro urbano de Presidente Franco. Segundo autoridades paraguaias, a obra só deve ser finalizada no início de 2027.
Enquanto isso, caminhões continuam sendo obrigados a cruzar áreas residenciais e comerciais da cidade, aumentando o desgaste viário e os conflitos urbanos. A expectativa do setor produtivo é que, com a conclusão total do projeto, haja redução significativa de filas, custos operacionais e dependência da já saturada Ponte da Amizade, em Ciudad del Este.
Outra medida em análise pela Câmara Municipal de Presidente Franco é a proibição do estacionamento de caminhões no perímetro urbano. Caso seja confirmada, os veículos que aguardam para cruzar a fronteira deverão se dirigir obrigatoriamente ao pátio da Administração Nacional de Navegação e Portos (ANNP), localizado a cerca de 2,5 quilômetros da ponte.
O espaço conta com infraestrutura básica, como banheiros, mas passou a cobrar uma diária de G$ 10 mil, acrescida de impostos internos. A cobrança entrou em vigor neste mês e já provoca questionamentos por parte dos transportadores.
No futuro, após a conclusão do anel viário, o governo paraguaio também prevê a implantação de pedágio para caminhões e ônibus de turismo, em um trecho entre Presidente Franco e Los Cedrales. Veículos de passeio estarão isentos, e o valor ainda será definido.
Enquanto Presidente Franco enfrenta os desafios do trânsito pesado, Ciudad del Este avança em outra frente: a reorganização urbana. A estatal Administração Nacional de Eletricidade (Ande) iniciou a etapa final de um plano piloto que removeu os históricos emaranhados de fios e cabos dos postes no centro da cidade, especialmente em vias como a rua Camilo Recalde.
A ação, realizada em conjunto com empresas de telefonia e internet, busca reduzir a poluição visual, aumentar a segurança da rede elétrica e facilitar a manutenção dos serviços. A iniciativa é vista como um marco simbólico de modernização urbana em uma das cidades mais movimentadas da fronteira.
Cobranças, obras inacabadas, reorganização urbana e expectativas econômicas compõem um cenário que reflete um Paraguai em movimento, tentando equilibrar crescimento, mobilidade e qualidade de vida em sua principal fronteira com o Brasil.
A Ponte da Integração segue como promessa de desenvolvimento e eficiência logística. No entanto, as decisões tomadas hoje em Presidente Franco e Ciudad del Este mostram que transformar essa promessa em realidade exige mais do que grandes obras: requer planejamento integrado, diálogo com a sociedade e soluções que considerem quem vive e trabalha diariamente na linha de frente dessa fronteira dinâmica.
Fonte e Foto:Gazeta do Paraná/ Créditos: Gentileza/Itaipu Binacional (Paraguai) / Marketing SindiFoz.