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publicado em 2026-02-19
Crescimento recorde do Porto de Santos pressiona infraestrutura e reforça urgência de ampliação logística.
Transporte Rodoviário de Cargas destaca necessidade de ampliação estrutural para acompanhar crescimento do Porto de Santos.
Com 186,4 milhões de toneladas movimentadas apenas em 2025, os limites estruturais do sistema Anchieta-Imigrantes tornam-se cada vez mais evidentes diante da crescente demanda por escoamento de cargas no maior complexo portuário da América Latina.
A movimentação de 635,3 milhões de toneladas de cargas entre janeiro e novembro do último ano confirma o protagonismo dos portos da Região Sudeste na infraestrutura logística nacional. O volume representa crescimento de 6,01% em relação ao mesmo período de 2024, desempenho que contribuiu decisivamente para os resultados positivos da balança comercial brasileira, que acumulou recorde de 348 bilhões de dólares em exportações entre 2023 e 2025.
Dentro desse cenário, o Porto de Santos encerrou 2025 com o melhor resultado de sua história, alcançando a marca de 186,4 milhões de toneladas movimentadas, alta de 3,6% sobre o recorde anterior, registrado em 2024. O complexo santista segue como principal porta de saída das exportações brasileiras, com destaque para soja, milho, açúcar, celulose, carnes e cargas conteinerizadas.
O desempenho vem sendo acompanhado de perto pela Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP), que ressalta a relevância dos resultados para a infraestrutura logística paulista, especialmente na Baixada Santista. Para a entidade, o avanço consolida ainda mais a posição estratégica da região no comércio exterior brasileiro, mas expõe desafios estruturais que exigem planejamento de médio e longo prazo.
“São números importantes, robustos, que trazem orgulho para nós aqui da Baixada Santista. O Porto de Santos demonstra, mais uma vez, sua força e capacidade operacional. Mas quem vive o dia a dia da operação sabe que cada tonelada movimentada exige um esforço logístico enorme”, avalia Roseneide Fassina, vice-presidente regional da FETCESP e presidente do SINDISAN.
O crescimento do volume também evidencia fragilidades estruturais ainda não solucionadas. Os gargalos logísticos e as limitações nos acessos ao porto permanecem como pontos críticos, especialmente no Sistema Anchieta-Imigrantes, responsável por concentrar o fluxo entre o Planalto e a Baixada Santista.
“Temos picos de circulação que impactam diretamente a mobilidade da região. Em determinados momentos do dia, chegam a passar mais de 600 caminhões por hora pelo Sistema. Isso não significa que todos estejam indo para o porto, mas a pressão sobre a infraestrutura é real e constante”, explica Fassina. “Caminhões que chegam antes do horário agendado acabam aguardando, o que gera filas, aumenta custos operacionais e traz reflexos para toda a cadeia logística.”
Na prática, o transporte rodoviário de cargas é o principal responsável pelo acesso terrestre ao Porto de Santos, sobretudo no comércio exterior. Qualquer interrupção ou lentidão no fluxo impacta prazos de embarque, produtividade dos terminais e competitividade das exportações brasileiras.
A Federação destaca que o desafio vai além dos acessos rodoviários. A capacidade estática dos pátios reguladores, a eficiência dos sistemas de agendamento e a infraestrutura de apoio ao caminhoneiro precisam acompanhar o ritmo de crescimento da movimentação.
Sem ampliação estrutural, o aumento do volume tende a intensificar a pressão sobre o sistema logístico, elevando custos com demurrage, tempo de espera e consumo de combustível, além de ampliar riscos ambientais e impactos urbanos na região.
Nesse contexto, a intermodalidade surge como caminho estratégico. A ampliação da participação ferroviária no acesso ao porto é considerada fundamental para reduzir a sobrecarga rodoviária.
“Se tivéssemos maior integração ferroviária com o transporte rodoviário, reduziríamos parte dessa pressão sobre os acessos e aumentaríamos a eficiência do sistema como um todo. A integração multimodal traz ganhos econômicos, operacionais e ambientais”, reforça a dirigente.
Além disso, a modernização tecnológica, com digitalização de processos, rastreabilidade e maior integração entre terminais, transportadoras e autoridades portuárias, é apontada como essencial para garantir fluidez, previsibilidade e sustentabilidade às operações.
Outra pauta estratégica defendida pela entidade é a ampliação da área do complexo portuário. Atualmente, o Porto de Santos possui cerca de 7,8 milhões de metros quadrados. Com a inclusão de áreas perimetrais na poligonal do porto, esse espaço poderia alcançar aproximadamente 20,4 milhões de metros quadrados.
“Essa ampliação é fundamental para garantir capacidade futura, organizar melhor as áreas retroportuárias e evitar que o crescimento da movimentação se transforme em gargalo estrutural”, finaliza Fassina.
Para o setor de transporte rodoviário de cargas, o momento exige planejamento integrado entre poder público, autoridades portuárias, concessionárias e operadores logísticos. O crescimento do Porto de Santos representa uma oportunidade estratégica para o Brasil, mas só se vier acompanhado de investimentos proporcionais em infraestrutura e governança logística.
Fonte e Foto: Assessoria FETCESP/ NTC&LOGÍSTICA/ Marketing SindiFoz.