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publicado em 2026-02-20
Integração com a Europa fortalece transporte rodoviário e corredores de exportação.
Com potencial de ampliar exportações em mais de US$ 7 bilhões e reduzir tarifas para mais de 500 produtos, o acordo Mercosul-UE deve elevar a demanda por transporte rodoviário de cargas e pressionar a infraestrutura logística nacional.
O recente acordo entre o Mercosul e a União Europeia, atualmente em fase de ratificação pelos países-membros, pode gerar reflexos diretos e estruturais na cadeia logística brasileira. Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), a eliminação tarifária prevista no tratado pode ampliar as exportações brasileiras em mais de US$ 7 bilhões no curto prazo, abrindo novas oportunidades para diversos setores produtivos e ampliando significativamente a movimentação de mercadorias no país.
De acordo com levantamento da ApexBrasil, mais de 500 produtos brasileiros poderão ter tarifas reduzidas ou eliminadas, abrangendo segmentos como agronegócio, proteína animal, açúcar, etanol, café, suco de laranja, celulose, produtos industriais e manufaturados. Esse cenário tende a intensificar o fluxo de cargas em direção aos portos e consolidar novos corredores logísticos.
O transporte rodoviário de cargas, principal elo entre a produção e os terminais portuários, deve registrar aumento expressivo no escoamento para o modal aquaviário. A tendência inicial aponta para o fortalecimento dos corredores já consolidados, especialmente aqueles que atendem os portos de Porto de Paranaguá, Porto de Itapoá, Porto de Itajaí, Porto de Navegantes, Porto de Santos e Porto de Rio Grande, além dos eixos rodoviários que conectam polos industriais e agrícolas do Centro-Oeste, Sul e Sudeste a esses terminais.
Segundo o vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (SETCEPAR), Luiz Gustavo Nery, o acordo representa um marco para o comércio exterior brasileiro e terá reflexos diretos sobre o setor de transporte de cargas.
“O acordo proporciona previsibilidade e segurança jurídica, estimulando investimentos produtivos e logísticos. Isso permite que transportadoras ampliem frotas, invistam em tecnologia, rastreabilidade e conformidade, elevando o padrão operacional do setor. É uma oportunidade para que o transporte rodoviário se posicione de forma ainda mais estratégica na integração internacional do Brasil”, afirma.
Segundo dados do Governo Federal, o intercâmbio comercial entre Brasil e União Europeia alcançou aproximadamente US$ 100 bilhões em 2025. Desse total, cerca de US$ 49,8 bilhões correspondem às exportações brasileiras ao bloco europeu. A formalização do tratado cria condições para aprofundar essa relação, reduzindo custos de acesso ao mercado europeu e ampliando a previsibilidade regulatória, fatores que tendem a estimular novos investimentos e consolidar a presença brasileira em segmentos estratégicos.
Apesar do cenário positivo, especialistas alertam que o crescimento da demanda exigirá avanços estruturais na infraestrutura logística nacional. O aumento do volume exportado impactará não apenas o transporte rodoviário, mas também armazenagem, terminais retroportuários, centros de consolidação, serviços aduaneiros e operações intermodais.
“O efeito multiplicador deste crescimento impactará toda a cadeia logística. Para absorver esse aumento de demanda, será fundamental investir em capacidade operacional, eficiência e planejamento, garantindo qualidade, cumprimento de prazos e competitividade”, ressalta Nery.
Além disso, o acordo insere o Brasil em uma agenda mais ampla de integração comercial com mercados de alto padrão regulatório. Isso significa maior rigor em exigências sanitárias, ambientais, trabalhistas e de rastreabilidade, aspectos que impactam diretamente o transporte rodoviário, sobretudo no controle de carga, documentação, segurança e monitoramento.
Empresas que investirem em gestão de dados, compliance, renovação de frota, sustentabilidade e integração tecnológica com embarcadores e operadores portuários terão vantagem competitiva. A digitalização de processos, a adoção de sistemas de rastreamento avançado e a melhoria da eficiência operacional serão fatores decisivos para atender às exigências do mercado europeu.
O acordo Mercosul-União Europeia não representa apenas um aumento de volume, mas uma mudança qualitativa no posicionamento do transporte rodoviário brasileiro no comércio internacional. Ao se tornar peça-chave no escoamento de produtos com maior valor agregado e padrões mais exigentes, o setor passa a ocupar papel ainda mais estratégico na consolidação da imagem do Brasil como fornecedor confiável e competitivo.
“Se bem aproveitado, o acordo pode representar um avanço estrutural para o transporte rodoviário brasileiro, elevando o nível de profissionalização do setor e impulsionando sua integração às cadeias globais de valor”, conclui o executivo.
Foto e Fonte: Notícias Agrícolas – MERCOSUL - UNIÃO EUROPEIA / https://100fronteiras.com/ Marketing SindiFoz.