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publicado em 2026-02-20

Mudança na jornada 6x1 pode afetar logística e mobilidade no Brasil, afirma CNT.

 

Setor enfrenta escassez de mão de obra e pede cautela na condução do debate.

 

Confederação Nacional do Transporte defende que a discussão sobre a jornada 6x1 seja conduzida com base técnica e por meio da negociação coletiva, considerando os impactos diretos no setor de transporte e na economia nacional.

 

 

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) acompanha com atenção o debate nacional sobre a possível alteração da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1. O setor produtivo está aberto ao diálogo, mas reforça que qualquer mudança deve ser conduzida com responsabilidade, previsibilidade e compromisso com o desenvolvimento econômico e social do país.

 

O transporte é uma atividade essencial e estratégica para o Brasil. Além de garantir o direito constitucional de locomoção, o setor viabiliza o deslocamento de praticamente tudo o que é produzido, consumido e utilizado, incluindo alimentos, medicamentos, insumos industriais, produtos hospitalares, combustíveis, mercadorias destinadas à exportação e serviços públicos. Trata-se de uma atividade contínua, que opera 24 horas por dia, sete dias por semana, assegurando o funcionamento das cadeias produtivas e o abastecimento da população.

 

Nesse contexto, a CNT alerta que a redução da jornada, sem considerar as especificidades operacionais do transporte, pode gerar impactos relevantes para toda a sociedade. A atividade possui características próprias, como escalas contínuas, atendimento ininterrupto, sazonalidade de demanda e necessidade de cumprimento de prazos logísticos, especialmente no transporte rodoviário de cargas e no transporte urbano de passageiros.

 

Além disso, o setor já enfrenta dificuldades significativas na reposição de mão de obra qualificada. Pesquisas realizadas pelo Sistema Transporte evidenciam esse cenário:

 

Transporte Rodoviário de Cargas (Pesquisa CNT–2021)

  • 65,1% das empresas relatam falta de motoristas profissionais;

  • 19,2% apontam escassez de mecânicos e profissionais de manutenção;

  • 15,1% registram falta de gerentes operacionais;

  • 14,4% indicam carência de profissionais administrativos.

 

Transporte Urbano de Passageiros (Pesquisa CNT–2023)

  • 53,4% apontam escassez de motoristas;

  • 63,2% relatam falta de mecânicos e profissionais de manutenção;

  • 41,4% indicam deficiência de qualificação;

  • 40,8% mencionam baixa experiência profissional;

  • 33,3% destacam a baixa atratividade da profissão.

Diante desse quadro, a redução da jornada sem a existência de trabalhadores suficientes para suprir a demanda pode ampliar o déficit de mão de obra, elevar custos operacionais e comprometer a regularidade e a qualidade dos serviços prestados à população. No transporte de cargas, isso pode significar aumento no custo logístico e impacto direto nos preços finais de produtos. No transporte de passageiros, pode resultar em redução de oferta ou necessidade de subsídios adicionais.

 

Outro ponto destacado pela CNT é o impacto fiscal. A eventual alteração da jornada não afetaria apenas o setor privado. Caso aplicada de forma ampla, incluindo a administração pública, poderia exigir novas contratações para manter o nível de serviços, elevando despesas com pessoal em um cenário de restrição fiscal e pressão sobre o orçamento público.

 

A entidade entende que o instrumento mais adequado para tratar da jornada de trabalho é a negociação coletiva. Por meio desse mecanismo, trabalhadores e empregadores podem ajustar condições às realidades específicas de cada setor, região e empresa, garantindo equilíbrio, segurança jurídica e respeito às particularidades das atividades econômicas. Importante ressaltar que, nos segmentos em que a jornada 5x2 é operacionalmente viável, ela já é adotada.

 

A CNT reafirma sua disposição para contribuir tecnicamente com o Parlamento e com o Governo Federal, defendendo que o debate seja orientado por critérios técnicos, estudos de impacto econômico e social e pela preservação da continuidade dos serviços essenciais. Para a entidade, mudanças estruturais na organização do trabalho devem ser analisadas com cautela, a fim de evitar efeitos negativos sobre a competitividade do país, o emprego e o abastecimento da população.

 

 

 

 

 

Fonte e Foto: CNT https://cnt.org.br/agencia-cnt / Marketing SindiFoz.

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