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publicado em 2026-02-25

Setor produtivo do Paraná manifesta preocupação com PEC da jornada.

 

G7 Paraná avalia que proposta pode pressionar preços, ampliar informalidade e afetar empregos formais.

 

Entidades alertam para impactos econômicos, aumento de custos e desafios à competitividade.

 

 

O G7 Paraná divulgou manifesto público demonstrando preocupação com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 36 horas semanais e o fim da escala 6×1 no Brasil. A proposta, de autoria da deputada federal Érika Hilton, já ultrapassou o mínimo de 171 assinaturas necessárias e está pronta para ser protocolada na Câmara dos Deputados, tendo recebido mais de 200 apoios parlamentares.

O grupo paranaense reúne as principais entidades representativas do setor produtivo estadual: Sistema FAEP, Fecomércio PR, Fiep, Fecoopar, Faciap, Fetranspar e Associação Comercial do Paraná.

Segundo o manifesto, a redução da jornada, sem o enfrentamento de entraves estruturais como elevada carga tributária, gargalos logísticos, insegurança jurídica e baixa qualificação profissional, pode elevar o custo por hora trabalhada e impactar diretamente a competitividade das empresas.


Impactos diretos na indústria

Entre os setores mais sensíveis à mudança está a indústria, que opera com escalas contínuas e alta dependência de produtividade. Com uma carga horária semanal menor, as empresas terão duas alternativas principais: ampliar o quadro de funcionários,  elevando custos com encargos e folha de pagamento,  ou aumentar significativamente a produtividade.

A avaliação é de Vania Batista, sócia-fundadora do Gemba Group, consultoria especializada em gestão industrial e eficiência operacional. Segundo ela, o caminho mais viável será investir em modelos de gestão enxuta, conhecidos internacionalmente como “lean manufacturing”, conceito desenvolvido pela Toyota na década de 1950 e hoje adotado globalmente.

“Os números falam por si só. A produtividade já é um desafio presente para a indústria e poderá ser ainda mais pressionada caso a jornada de 36 horas seja aprovada. As empresas que se prepararem desde já terão menor impacto na folha de pagamento”, afirma.

De acordo com dados da Confederação Nacional da Indústria, a produtividade industrial brasileira vem acumulando queda nos últimos anos. Houve redução de 16,5% nas horas trabalhadas, acompanhada de queda ainda maior no volume produzido, na ordem de 17,4%. Esse cenário reforça a necessidade de modernização e melhoria contínua dos processos produtivos.


Produtividade e competitividade em debate

Dados da Organização Internacional do Trabalho apontam que o Brasil ocupa a 94ª posição no ranking mundial de produtividade. Entre 1990 e 2024, o crescimento médio anual foi de apenas 0,9%, evidenciando um atraso estrutural frente a economias mais desenvolvidas.

Para especialistas, a gestão enxuta pode ser uma alternativa estratégica. O modelo busca eliminar desperdícios, reduzir estoques excessivos, otimizar processos e tornar as operações mais eficientes. Além de diminuir custos, fortalece a cultura de melhoria contínua e inovação.


Desindustrialização e cenário econômico

O debate sobre a jornada também ocorre em um contexto de desindustrialização. Na década de 1980, a indústria representava quase metade do PIB brasileiro. Em 1985, a indústria de transformação respondia por 36% do PIB. Atualmente, a participação industrial gira em torno de 24%, segundo a Confederação Nacional da Indústria.

Além disso, o faturamento do setor caiu 2,3% em 2023 na comparação com 2022 e, em 2024, permanece no mesmo patamar de 2017. A indústria é considerada estratégica para o desenvolvimento nacional: a cada R$ 1 produzido na indústria de transformação, são gerados R$ 2,43 na economia como um todo.

Nesse contexto, o G7 Paraná avalia que mudanças estruturais devem ser conduzidas com responsabilidade, especialmente diante da implementação simultânea da reforma tributária, que já impõe adaptações significativas ao ambiente de negócios.


Desafio e oportunidade

Apesar das preocupações, especialistas apontam que a redução da jornada também pode representar oportunidade de modernização. Países europeus vêm testando modelos alternativos, como a jornada de quatro dias. A Islândia foi pioneira em testes antes da pandemia, e iniciativas semelhantes foram adotadas em países como Bélgica, Reino Unido e Suécia.

A pandemia de Covid-19 também acelerou transformações no mercado de trabalho, como a consolidação do home office e do modelo híbrido. A discussão sobre equilíbrio entre vida pessoal e profissional ganhou força, assim como o debate sobre saúde mental. Segundo a Associação Nacional de Medicina do Trabalho, cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros apresentam sintomas relacionados à síndrome de Burnout.

Para o G7 Paraná, o tema exige análise técnica aprofundada, respeito às diferenças setoriais e valorização da negociação coletiva. “É fundamental equilíbrio entre direitos trabalhistas, sustentabilidade empresarial e desenvolvimento econômico. Mudanças dessa magnitude precisam ser construídas com responsabilidade e diálogo”, reforça o manifesto.


 

 

 

 

 

 

Fonte e Foto:  G7 Paraná - Divulgação / https://www.bemparana.com.br/ Marketing SindiFoz.
 

 

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