(45) 99843-0485
associe-se

publicado em 2026-04-14

Mudanças na CNH ampliam acesso e trazem novos desafios ao transporte.

Menor carga prática reduz custos, mas levanta preocupações sobre preparo e segurança nas estradas.

 

Setor alerta para necessidade de reforço na qualificação e manutenção da segurança operacional.

 

As mudanças nas regras para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), em vigor desde o fim de 2025, devem ampliar o acesso à habilitação e facilitar a entrada de novos motoristas no mercado em 2026. No entanto, especialistas do setor apontam que a flexibilização pode transferir parte da responsabilidade pela formação prática para as transportadoras.

Entre as principais alterações estão a redução da carga prática mínima, de 20 para 10 horas, e o fim da obrigatoriedade de aulas em autoescolas para candidatos às categorias profissionais C, D e E

Na prática, o processo torna-se mais rápido, digital e significativamente mais barato.

À época da implementação, o então ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que a medida buscava ampliar o acesso e modernizar a formação de condutores. “O cidadão agora tem alternativas. Essas mudanças desburocratizam, digitalizam e tornam o processo mais acessível”, declarou.

Queda de custo pode ampliar base de motoristas

Um dos principais objetivos da nova regra é reduzir o custo da habilitação, historicamente elevado no Brasil. Estudo do Centro de Liderança Pública (CLP) indica que o valor médio para obtenção da CNH era de R$ 3,2 mil, podendo chegar a R$ 5 mil em alguns estados,  sendo cerca de 70% desse total relacionado às exigências das autoescolas.

Com a flexibilização, o governo estima que o custo pode cair em até 80%, fazendo com que a primeira habilitação passe a custar a partir de aproximadamente R$ 700. A redução tende a ampliar significativamente o acesso, especialmente entre jovens e trabalhadores de menor renda.

Na comparação internacional, o custo da CNH no Brasil representava cerca de 7,8% da renda média anual, percentual superior ao de países como Alemanha (3,2%) e França (2,4%). Com a mudança, esse índice pode cair para cerca de 1,7%, aproximando o país de padrões observados em mercados como Portugal.

O potencial de expansão é elevado. Segundo o CLP, cerca de 54% dos brasileiros aptos a dirigir não possuem CNH, enquanto aproximadamente 18 milhões dirigem sem habilitação. Além disso, a emissão de novas carteiras vinha em queda, passando de 2,8 milhões em 2022 para 2,59 milhões em 2024.

Os primeiros sinais de impacto já aparecem. Em janeiro de 2026, a procura pela primeira CNH cresceu 25% no Estado de São Paulo na comparação anual, com destaque para cidades como São José dos Campos, Campinas e Barueri. O movimento reforça a expectativa de aumento na oferta de motoristas, um dos principais gargalos do transporte rodoviário de cargas.

Menor carga prática levanta alerta sobre segurança

Apesar dos benefícios em termos de acesso, a redução da carga prática acende um alerta no setor. Especialistas avaliam que a diminuição do tempo de treinamento pode resultar em motoristas menos preparados para enfrentar situações reais, especialmente na condução de veículos pesados em rodovias complexas.

Para profissionais experientes, a mudança pode ser insuficiente para garantir a formação adequada. O caminhoneiro aposentado Divino Rugiano, da Grande São Paulo, considera a nova carga prática limitada. “Dez horas é pouca experiência para conduzir um caminhão na estrada. É uma responsabilidade muito grande”, afirma.

Nesse cenário, cresce a tendência de que as próprias transportadoras assumam parte da capacitação dos novos motoristas. Programas internos de treinamento, acompanhamento em viagens iniciais e processos de integração mais robustos devem se tornar mais comuns.

Esse movimento, no entanto, gera impacto direto nos custos operacionais. Além do investimento em treinamento, empresas podem enfrentar aumento temporário em indicadores como sinistralidade, consumo de combustível, desgaste de veículos e custos com seguros.

Impactos para o setor de transporte

Por outro lado, o aumento da oferta de motoristas pode ajudar a aliviar um problema histórico do setor: o déficit de profissionais qualificados. Entidades do transporte estimam que o Brasil enfrenta escassez significativa de caminhoneiros, agravada pelo envelhecimento da força de trabalho e pela baixa entrada de jovens na profissão.

Com mais pessoas habilitadas, o mercado tende a ganhar fôlego no médio prazo, podendo reduzir pressões sobre fretes, melhorar a disponibilidade de mão de obra e aumentar a previsibilidade das operações logísticas.

Ainda assim, especialistas defendem que a flexibilização deve ser acompanhada de mecanismos de controle de qualidade, certificações complementares e incentivos à formação continuada. Cursos especializados, como os de transporte de cargas perigosas (MOPP), direção defensiva e condução econômica, devem ganhar ainda mais relevância.

A mudança, portanto, representa um avanço em termos de inclusão e acesso à profissão, mas impõe ao setor o desafio de equilibrar redução de custos com segurança operacional. Para as transportadoras, o cenário exigirá maior investimento em qualificação interna e gestão de riscos, em um ambiente já marcado por margens apertadas e alta competitividade.

 

 

 

Fonte e Foto: Estadão - divulgação / marketing SindiFoz.

FALE CONOSCO (45) 99843-0485 adm@sindifoz.com.br diretor@sindifoz.com.br presidente@sindifoz.com.br
ONDE ESTAMOS Rua Silvio Sottomaior, 187, salas 06 e 07 Pilar Parque Campestre Foz do Iguaçu/PR CEP: 85862-295
COMO CHEGAR
COMO CHEGAR
SINDIFOZ NAS MÍDIAS
Sindifoz 1990 - 2026 - Todos os Direitos Reservados