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publicado em 2026-04-16
Tensão em Ormuz eleva alerta sobre diesel no Brasil.
O bloqueio no Estreito de Ormuz continua gerando efeitos indiretos sobre o mercado de diesel no Brasil, principalmente por meio da alta dos preços internacionais do petróleo e seus derivados. Embora o país não dependa diretamente da região para importação de petróleo, a relevância estratégica da rota marítima mantém o mercado global em alerta.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (15), em publicação na rede Truth Social, que está “abrindo permanentemente o Estreito de Ormuz” e mencionou a China como uma das principais interessadas na normalização da passagem. A declaração ocorre dois dias após o início do bloqueio a navios com origem ou destino a portos iranianos.
Também na quarta-feira, o Comando Central dos Estados Unidos informou que ao menos nove embarcações foram obrigadas a retornar ao Irã durante a operação, evidenciando o nível de controle exercido na região.
Segundo o especialista em combustíveis do Gasola by nstech, Vitor Sabag, os efeitos sobre o Brasil permanecem indiretos e já vinham sendo sentidos desde o fechamento parcial do estreito.
“No curto prazo, o bloqueio total não trouxe impactos muito diferentes dos já observados anteriormente. O principal canal continua sendo o preço internacional do petróleo”, explicou.
Isso ocorre porque o Brasil importa relativamente pouco petróleo da região do Golfo, mas depende do mercado internacional para complementar o abastecimento de diesel. Com a alta do barril, o custo do diesel importado sobe, pressionando os preços internos.
Além disso, o diesel é um insumo essencial para o transporte de cargas no país, o que faz com que qualquer variação relevante tenha impacto em cadeia sobre inflação e custos logísticos.
Para as próximas semanas, o foco se desloca para o abastecimento interno. De acordo com Sabag, a política de preços da Petrobras será determinante para evitar desequilíbrios no mercado.
Se os preços domésticos ficarem defasados em relação ao mercado internacional, importadores privados tendem a reduzir suas operações, já que a atividade se torna menos rentável.
“Quando os importadores recuam, aumenta a dependência das refinarias nacionais, que operam próximas do limite da capacidade. Isso pode gerar risco de restrição de oferta”, afirmou.
Apesar disso, o especialista ressalta que esse cenário ainda não é inevitável, mas já apresentou sinais recentes e deve ser monitorado com atenção.
Diante da pressão sobre os combustíveis, o governo federal anunciou novas medidas para aumentar a transparência e garantir o repasse de subsídios ao consumidor final.
As distribuidoras passarão a informar semanalmente suas margens brutas de lucro na revenda de diesel e GLP. A medida está vinculada ao Regime Especial de Abastecimento Interno de Combustíveis, previsto na MP 1.349/2026.
Os dados deverão ser enviados à Agência Nacional do Petróleo (ANP), que ficará responsável pela divulgação pública. Empresas que não cumprirem a exigência perderão acesso ao combustível subsidiado.
O pacote inclui:
No caso do gás de cozinha (GLP), serão destinados R$ 330 milhões, equivalentes a cerca de R$ 11 por botijão de 13 kg.
Os estados têm até 22 de abril para aderir ao programa conjunto de subsídio ao diesel importado, com expectativa de adesão ampla.
No cenário internacional, o bloqueio no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, está provocando uma reorganização dos fluxos globais de energia.
Países que dependiam da rota, como a China, tendem a buscar fornecedores alternativos, aumentando a demanda por petróleo de outras regiões e pressionando preços.
“No médio prazo, o principal efeito é essa redistribuição da demanda global. Isso pode sustentar preços elevados mesmo sem interrupção total prolongada”, explicou Sabag.
Apesar da expectativa inicial de forte alta, o mercado mostrou acomodação ao longo da semana. Após o petróleo Brent ultrapassar US$ 100 por barril, os preços recuaram diante de sinais de possível retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã.
Especialistas apontam três fatores principais que devem influenciar o mercado nas próximas semanas:
A combinação desses elementos será decisiva para determinar se a pressão sobre o diesel no Brasil permanecerá controlada ou se poderá se intensificar no curto prazo.
Fonte e Foto: Mundo logistica- Camila Lucio/ Marketing SindiFoz.